20 de Agosto de 2013

Apavorado acordo, em treva. O luar

É como o espectro do meu sonho em mim

E sem destino, e louco, sou o mar

Patético, sonâmbulo e sem fim.

 

Desço da noite, envolto em sono; e os braços.

Como ímãs, atraio o firmamento

Enquanto os bruxos, velhos e devassos

Assoviam de mim na voz do vento.

 

Sou o mar! sou o mar! meu corpo informe

Sem dimensão e sem razão me leva

Para o silêncio onde o Silêncio dorme

 

Enorme. E como o mar dentro da treva

Num constante arremesso largo e aflito

Eu me espedaço em vão contra o infinito

 

(VINICIUS DE MORAES)

 

Aqui neste soneto, o “eu” lírico anda disforme sem características humanas, conforme o mesmo disse: “Apavorado acordo, em treva. O luar”. Ele se sente tão melancólico, triste e só, que perdeu o rumo da vida. E também confunde-se com um “louco”, com o mar, enfim, como alguém que não tem controle sobre seus atos, sobre sua própria vida. Ou seja, perde o prazer de viver porque não vive e sim o vive, vegeta.

 

Este verso, “Desço da noite, envolto em sono; e os braços”, vem para reforçar o que já foi dito na primeira estrofe. Pois alguém “envolto em verso”, não tem consciência, é alguém que perdeu a lucidez, não tem controle sobre si mesmo, sendo assim o “eu” lírico anda em solidão. “Como ímãs, atraio o firmamento”, esse outro refere-se a solidão, melancolia, enfim, até a questão sonoro ressalta essa tristeza do “eu” lírico. Isto é, alguém que não viveu nada de bom, ninguém o quer por perto, logo ele é isolado.

 

Nos últimos tercetos duplos, o “eu” lírico mostra uma fusão com mar, esta fusão dá-se a partir do ponto que não se sente, não se vê com características de humanas, é quando percebe que as peculiaridades – enquanto ser – não mais existe. Por isso, confunde com o mar e passa a ter características dele como: “corpo informe”, “sem dimensão”, etc., não obstante essa fusão traz-lhe uma certa alegria. É quando se sente em paz, é quando se encontra.

 

“Eu me espedaço em vão contra o infinito”, já aqui o “eu” lírico espedaça-se contra sua própria vida inútil e “como está disforme” e “sem dimensão” assim como seu “mar”, então perde-se com a grandeza do mesmo.

 

publicado por poetaaaronlino às 03:18 link do post
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