02 de Março de 2012


“A verdade é a lógica da realidade”

(Aaron Lino)

 

As definições de professor “educador” por Miguel Araújo é uma das coisas mais absurdas que a burrice humana pode criar, totalmente idealizadas e sem fundamentação. Segundo ele, o educador celebra paixões, realça a busca do qualitativo, da globalidade do ser, da dignidade e da beleza humana; conduz à vocação, à voz do coração; ousa as veredas ainda não trilhadas, mais desafiantes e difíceis, inaugurando caminhos novos, extraordinários; fundamenta-se em lógicas dialógicas, flexíveis e includentes (leia texto do poeta Aaron Lino ‘A inclusão excludente’); e educa para a imanência e para a transcendência, para o invisível, para os valores humanos – a espiritualidade.

 

Nota-se que são tentativas de definições, pois elas simplesmente não existem por serem idealizadas; o problema da questão não está na definição e sim na qualificação de “educador”, que também não existe. Explicar-se-á de várias formas e maneiras para que não haja dúvidas sobre essa tolice de professor “educador”.

 

Há alguns conflitos em determinados verbos como, por exemplo, em ensinar e educar; os dois seguem uma linha de raciocínio de arbitrariedade, como assim: “se eu ensino ou educo, o outro é obrigado a aprender”. Sabe-se que isso é impossível, uma vez que o indivíduo tenha livre-arbítrio, ou seja, decide o que quer aprender, não só ele como involuntariamente o cérebro irá selecionar o de mais relevante para o sujeito.

 

Considerando a hipótese que duas crianças (X e Y gêmeas ou não) que durante dois anos vivem em situações escolares idênticas (mesma turma, professor etc.). Observar-se-á que a criança X terá aprendizado e desenvolvimento diferentes da criança Y, porquanto cada indivíduo tem seu próprio interesse; dessa maneira, conseguem educar a si mesmo, isto é, não há possibilidades de terceiros educar ou ensinar alguém. É um processo seletivo próprio de cada sujeito baseado no prazer cognitivo. Com isso, percebe-se que o mérito é cabalmente do sujeito e não de outrem como é normalmente entendido.

 

Há ainda um problema, a criança tem poder de decidir ou educar a si mesma? Não, no caso específico, ela é induzida para determinado objetivo; na adolescência, os pais vão notar que a indução não fez sentido, ou seja, irão dizer “não o eduquei para isso”. Eles estão certos; o adolescente já tem poder de refletir (nem todos, entretanto considere a hipótese) o que quer para ele. E a partir daí começa a educar a si mesmo. Isso fica claro quando uma mãe diz: “não eduquei meu filho para ser assassino ou ladrão”, ele educou-se para esse fim. Já no caso do adulto, ele educa a si mesmo (porque não existe o estudar por outrem), mas há aqueles que são induzidos pelos pais ou pessoas próximas, por exemplo, o pai que deseja ver o filho formado em medicina, porém a vontade do filho é ser músico. Ele se forma em medicina para agradar a vontade do pai. Aqui fica evidente que não existe educador, sejam eles pais ou professor “educador”.

 

Por conseguinte, o que há, na verdade, é professor orientador. Este orienta o discente a percorrer um determinado caminho, o mesmo que os pais fazem com os filhos, o aluno aceita se quiser o caminho sugerido, através do livre-arbítrio. Totalmente diferente de educar e ensinar que é arbitrário. Orientar é o verbo correto quando se trata de seres psíquicos. Logo, não existe educar ou ensinar alguém, tampouco educador. 

publicado por poetaaaronlino às 02:29 link do post
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