05 de Maio de 2010

 

 

        O texto é, normalmente, para a maioria das pessoas um bicho de sete cabeças. Porém, na verdade, é porque elas desconhecem alguns processos de leitura. Visto que para compreender um texto, é preciso seguir algumas pistas.

        No primeiro contato com o texto, o leitor, normalmente, sente dificuldade de encontrar unidade por trás do tantos significados que ocorrem na sua superfície. Nessa primeira leitura, parece impossível encontrar qualquer ponto para o qual convirjam tantas variáveis e que dê unidade à aparente desordem.

       Todavia, para um bom texto, sempre há uma ordem por trás do aparente caos. Após várias leituras, encontrar-se-á o fio condutor, ou seja, o texto passará a ter harmonia e coerência.

       Dando continuidade, há três níveis de leitura, distinguem-se pelo grau de abstração. Os primeiros níveis depreendem os significados mais simples e concretos; o terceiro nível depreende os significados mais complexos e abstratos.

       Portanto, para uma compreensão total do texto, é preciso entender os vários tipos de leituras. Percebe-se que são três níveis: superficial, onde afloram os significados mais concretos e diversificados; intermediário, onde se define os valores; e profundo, onde ocorrem os significados mais abstratos e mais complexos.


 

O menino sem passado....

  

      Esse poema tem características surrealistas e modernistas. Embora Murilo Mendes fosse “modernista”, mas sua poesia oscilava entre as vanguardas européias, especificadamente o surrealismo.

     Podem-se notar claramente figuras surreais como “Saci-pêrere”, “mãe-d’água”, “gigante com trezentos anos”. Essas eram as figuras que povoaram as mentes das crianças de sua época, mas não a dele. Pois não lhe ensinaram a temê-las.

     Já a influência do modernismo é bem mais evidente nesse poema; ela começa de forma estética. Há falta de métrica, rimas; a linguagem é simples (embora sofra influência do surrealismo). E a forma profunda que seria a fragmentação da idéia, mas isso está ligado ao movimento que tinha a intenção de trazer uma nova concepção tanto de estética quanto conceitual. E que também estaria vinculado ao processo de industrialização.

     A grande problemática do poema está na tentativa de unificação do consciente e do inconsciente; do concreto com o abstrato. É por isso que o título do poema é “O menino sem passado”, pois o que se perdeu, foram as lembranças entre o real e o irreal; é um pouco da idéia de Nietzsche do livro “Para além do bem e do mal”, tudo que está além do bem e do mal, será santificado, ou seja, será guardado na memória.

     Nesse poema fica claro que a perda não foi total: “no mundo de boneca das garotas de madeira/ que meu tio habilidoso fazia para mim”, existe um vestígio do passado que se confunde com o imaginário; então, é por isso que afirma: “fiquei sem tradição sem costumes nem lendas, isto é, ficou sem imaginário, algo muito característico de criança; pode-se concluir que o poeta não foi criança, visto que ele amadureceu rápido demais.  

publicado por poetaaaronlino às 17:10 link do post
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