15 de Julho de 2009

A literatura ocidental passou por profundas transformações, principalmente, no início do século XX: com o advento das Vanguardas. Essas mudanças causaram danos irreversíveis, com exceção de algumas obras.

 

Essa corja de vanguardistas veio para banalizar a literatura, torná-la simples e fácil. Ela introduziu uma “poesia” de fracassado e de débil mental, pois é tão néscia quanto à mente de seus representantes.

 

Segundo os futuristas, era preciso “destruir a sintaxe, dispondo os substantivos ao acaso, como nascem; abolir o adjetivo, o advérbio e a pontuação”. Já os dadaístas “defendem o absurdo, a incoerência, a desordem, o caos”; tanto um quanto o outro são medíocres, no quesito qualidade literária. Leia, abaixo, a mais pura sandice de todos os tempos, chama-se “receita de poema dadaísta” de Tristan Tzara:

 

Pegue o jornal.

Pegue a tesoura.

Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.

Recorte o artigo.

Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.

Agite suavemente. Tire em seguida cada pedaço um após o outro.

Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.

O poema se parecerá com você.

E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.

 

Observe esse “poema”, ele é o cúmulo do absurdo-idiota. Porem, poesia é algo totalmente diferente. Para elucidar, discutir-se-á o que é qualidade em uma obra. A qualidade está ligada a dificuldade ou complexidade; para ter-se uma noção só é analisar a produção de algumas obras como a Gioconda de Leonardo da Vinci, 5° Sinfonia de Beethoven, Lei da Gravidade de Isaac Newton etc., por causa da dificuldade de produção e relevância, estas obras têm uma qualidade impressionante. Portanto, aquilo que é feito por qualquer um que não seja um artista ou um gênio – que não tem talento nenhum para a literatura –, resumir-se-á em bobagem.

 

Essa tendência vanguardista acabou influenciando os modernistas, pós-modernistas, os contemporâneos etc. Isso foi como uma praga que se alastrou pelos países, tornando tudo e qualquer ser idiota em artista. Até Albert Einstein – embora fosse um gênio para a física, mas como poeta fracassou – tentou ser artista. Leia abaixo esse poema, em alemão, de sua autoria:

 

Jeder zeiget sich mir heute

Von der allerbesten seite

Und von nah und fern die lieben

Haben rührend mir geschrieben

Und mit allem mich beschenkt

Was sich so ein schlemmer denkt

Was für den bejahrten mann

Noch in frage kommen kann

Alles naht mit süssen tönen

Um den tag mir zu verschönen

Selbst die schnorrer ohne zahl

Widmen mir ihr madrigal

Drum gehoben fühl ich mich

Wie der stolze adlerich

Num der tag sich macht ein ende

Mach‘ ich auch mein kompliment

Alles habt ihr gut gemachet

Und die liebe sonne lacht.

 

Esse “poema” é um exemplo claro de um escrito qualquer que denominaram de poema, só porque há nele rimas e estão em versos. Se for considerado isso, qualquer prosa literária ou não posta em verso, torna-se poema. E, na verdade, uma obra poética para ser tal deve conter algumas características como, por exemplo, ser ficcional, ter um uso especial da linguagem, plurissignificação, a linguagem como primeiro plano: função poética, causar estranhamento, ter a integração: som + sentido, a universalidade, a intertextualidade, desviar da norma, não ser pragmático etc.; segundo os teóricos da literatura: Culler e Eagleton.

 

Essas características não ocorrem nos livros de Paulo Coelho como em As Valkírias, O Alquimista e entre outros; por isso não são considerados literários. Todavia, quando é publicado um livro de poesia tão banal quanto os livros de Coelho, ninguém se manifesta. Há uma conspiração contra a boa poesia; ela é para poucos tanto para criar quanto para apreciar.

 

Em contrapartida, a grande poesia está em autores como Rimbaud, Baudelaire, Apollinaire, Jim Morrison, João Cabral de Melo Neto, Santo Souza etc., leia trechos das obras deles, respectivamente:

 

Le bateau ivre

 

Comme je descendais des Fleuves impassibles,

Je ne me sentis plus guidé par les haleurs :

Des Peaux-Rouges criards les avaient pris pour cibles,

Les ayant cloués nus aux poteaux de couleurs.

 

J'étais insoucieux de tous les équipages,

Porteur de blés flamands ou de cotons anglais.

 Quand avec mes haleurs ont fini ces tapages,

Les Fleuves m'ont laissé descendre où je voulais.

 

Dans les clapotements furieux des marées,

Moi, l'autre hiver, plus sourd que les cerveaux d'enfants,

Je courus ! Et les Péninsules démarrées

N'ont pas subi tohu-bohus plus triomphants. (...)

 

La musique

 

La musique souvent me prend comme une mer !

Vers ma pâle étoile,

Sous un plafond de brume ou dans un vaste éther,

Je mets à la voile ;

 

La poitrine en avant et les poumons gonflés

Comme de la toile,

J'escalade le dos des flots amoncelés

Que la nuit me voile ;

 

Je sens vibrer en moi toutes les passions

D'un vaisseau qui souffre ;

Le bon vent, la tempête et ses convulsions (...)

 

Il Pleut

 

Il pleut des voix de femmes comme si elles étaient mortes même dans le souvenir C'est vous aussi qu'il pleut merveilleuses rencontres de ma vie ô gouttelettes Et ces nuages cabrés se prennent à hennir tout un univers de villes auriculaires Écoute s'il pleut tandis que le regret et le dédain pleurent une ancienne musique Ecoute tomber les liens qui te retiennent en haut et en bas.

 

Break on through

 

You know the day destroys the night

Night divides the day

Tried to run

Tried to hide (...)

 

I found an island in your arms

A country in your eyes

Arms that chain us

Eyes that lied (...)

 

Noturno

 

O mar soprava sinos

Os sinos secavam as flores

As flores eram cabeças de santos.

 

Minha memória cheia de palavras

Meus pensamentos procurando fantasmas

Meus pesadelos atrasados de muitas noites.

(...)

 

Edifício de solidão

 

Súbito,

Nossas mãos

Se entrelaçaram

Para dar

Pouso

Aos pássaros da terra.

(...)

 

E vieram

Os arquitetos

Do silêncio

Construir

Seu edifício

De trevas

E solidão.

 

Notem a beleza poética desses poemas, com p maiúsculo, observem a linguagem – ultrapoética. Isso é a grande poesia; e não aquilo que os vanguardistas fizeram. Os modernistas como sofreram influxos da tendência europeia, fizeram uma “poesia” carente de literariedade poética, principalmente, no tocante à linguagem.

 

Olhando por outro ângulo, notar-se-á que o modernismo não só fracassou na linguagem – mesmo sendo uma característica do movimento, porém é sobre isso que se trata essa crítica –, mas também em um dos objetivos: que era simplificar a poesia para alcançar ou dar acesso a pessoas menos instruídas. E isso não foi possível, visto que esse público nunca gostou de poesia. Se observar a história, a literatura sempre foi de gosto burguês ou de intelectuais; e nunca do povo. Então, foi ingenuidade deles em acreditar nisso.

 

Por fim, a bela poesia é complexa. Ela leva o leitor a filosofar sobre a vida, a morte, a dor, a psicologia, o amor, a própria filosofia etc., mas o grande impasse não é o tema e sim a forma como é abordado. O poema quanto mais poético, quanto mais complexo, quanto mais apoteótico melhor; e isso é que vai separar os grandes poetas dos pseudopoetas.

publicado por poetaaaronlino às 18:46 link do post
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